Nerdices


Mitchell Baker - a toda poderosa da MoFo (Mozilla Foundation) é durona mesmo. Acho que é o jeito de ser de advogados em geral, eles ou estão sempre te interrogando ou tomando cuidado para que nada do que se diga seja usado contra eles. Mas nem a poderosa chefona resistiu ao jeito e alegria brasileiros, e até pro Bar do Pinguim com a gente ela foi. Uma das coisas que mais me chamou a atenção nela foi o fato de que sempre, em comentarios, conversas ou palestras, ela relembra a importancia da comunidade no projeto Firefox e outros, e o quanto isto foi essencial para chegarem onde chegaram. Em um mundo cheio de estrelinhas como este nosso de software livre, é revigorante ver alguém tão importante dar este exemplo. E se você acha que nosso ambiente brasileiro sofre de estrelismos, espere até conhecer o americano…

Muita gente sabe a historia mas não custa relembrar: o Mozilla surgiu no último suspiro da Netscape, sufocada pela Microsoft. Quando eu comecei na computação, em 96, todo mundo usava Netscape, que dominava creio 98% do mercado, e Internet Explorer era alguma coisa feia e bizarra da MS. Mas quando a MS resolveu investir pesado e tornar todo o Windows “integrado” – dependente mesmo – do IE, ela virou o jogo. Sofreu pesadíssimos processos e multas, principalmente na União Européia, mas o resultado final foi conseguido: matar o Netscape. Ou quase… o Netscape abriu o código e virou o Mozilla, de Mosaic Killer – que nos tempos aureos era visto com o unico concorrente do Netscape. E então, enquanto a MS abandonava o IE depois do objetivo conseguido, o Mozilla foi resurgindo das cinzas. A AOL comprou a Netscape, e algum tempo depois decidiu que o projeto seria cancelado. Mitchell se recusou a aceitar isto, e como resultado, foi demitida. Bom, mas nós todos sabemos que para trabalhar num projeto open source, você não precisa necessáriamente de autorização, né? Ela foi pra casa e trabalhou por um ano fazendo a mesma coisa, gerenciando o projeto. Hoje em dia, se ela é CEO, chairman ou toda poderosa chefona, foi porque sempre acreditou e se dedicou ao projeto. E mesmo sendo uma pessoa tão fundamental, ela sempre diz que ainda assim é uma entre milhares de pessoas que contribuíram para o Firefox ser o que é hoje.

E btw, já pensaram na ironia do Firefox surgir para vingar a morte do Netscape?

Aurélio - encontrei o Verde conversando com seus leitores na banca da Tempo Real. É uma figura. Se aproxima um rapaz, super tímido, e pede pra ele autografar o livro. O Aurélio pergunta de onde ele é, se já faz algum shell script… o rapaz confirma, meio emocionado, eu acho. Daí o Aurélio pergunta “mas tá tudo bonitinho, documentado, identado, ou tá aquela maçaroca?” “Não, tudo certinho” “Ah tá, não vai passar vergonha então se eu for olhar” “Não não, pode ver”. Figuraça :) Fico muito feliz de reencontrar amigos e vê-los não apenas bem no sentido que a sociedade espera: escritor renomado, e agora senhor sério casado :) mas ainda e sempre com o sorriso no rosto, a paciência de ensinar e despertar consciência, e curtir a vida como bem entender, de chinelo e tatuagem.

Urubuntu - Vaz, sempre ele. Desta vez lançou uma nova distribuição, o Urubuntu: a distribuição mais user-hostile que você já viu. Em tempos: é um OpenBSD…

vPRO e Cacic – lamento repetir aqui, mas passou meio batido devido ao prolongamento do discurso do Requião na cerimônia de abertura: a Intel assinou com a Dataprev um termo de intenções para desenvolver o suporte à plataforma vPRO no Cacic. O vPRO tem uma série de recursos de gerenciamento de hardware e software, independente do estado operacional da máquina. E o Cacic, como software de inventário, largamente utilizado nas agencias do governo, pode vir a ser o primeiro software livre a suportar esta tecnologia. O projeto OpenAMT já provê toda a implementação livre, mas não existe ainda um software livre que use estas funcionalidades. O pode vir a ser o primeiro é por conta do tempo, quem sabe surge outro, mas o compromisso existe e os detalhes de implementação estão sendo definidos. Concordemos ou não com passo do uso e desenvolvimento do software livre no governo, não deixa de ser uma excelente notícia.

Bom, minha palestra correu mais simples do que eu esperava. Fiquei feliz que o povo riu da piada – alguns momentos que achei que fossem ser mais engraçados não foram tanto, ou então o povo ficou mais tímido.

Mas enfim. Aqui estão os slides Profissionalismo para Nerds, que passei o dia colocando notas sobre o conteúdo. Aqui também a versão em html. Quis fazer uma palestra diferente, e como fui encontrando imagens relacionadas, os slides são na maioria imagens. Aviso que o arquivo ficou imenso Achei que ficou legal. Parece que o vídeo da palestra também vai estar disponível logo.

Achei legal que o assunto gerou muito interesse, mas minha idéia nunca foi padronizar todo mundo. Quem não quiser seguir dica nenhuma, que esteja a vontade, mas minha experiência – ou seja, as vezes que bati a cabeça na parede – me mostraram que estas coisas são importantes. Pode-se escolher o caminho de diferentes maneiras, e não necessáriamente são obrigatórios, como li em um jornal que não entendeu bem o espírito que eu quis passar. Mas para quem quer tornar sua vida profissional mais fácil e reconhecida, talvez valha a pena ver. Afinal, para quebrar as regras, primeiro precisamos conhecê-las.

Nos próximos dias as outras palestras… ufa!

Nunca antes na história do Brasil… não, isto já está manjado :)

A Intel é patrocinadora Ouro do 9o. Fórum Internacional de Software livre, dias 17 a 19 de abril de 2008, em Porto Alegre. Mas não basta patrocinar, tem que participar. Teremos três palestras institucionais e muitas demonstrações que acredito vão agradar aos participantes que passarem pelo stand.

O Moblin terá destaque na nossa programação, com a demonstração em dois dispositivosmoblin.gifMID, Mobile Internet Devices – disponíveis. Porém a grande novidade fica por conta do concurso Your Move, que vai premiar as melhores aplicações para a plataforma Moblin com 10 MIDs e uma viagem com acompanhante para qualquer conferência open source no mundo. Esta promoção acontece simultâneamente no Brasil, EUA, China e India, mas cada região gerencia o seu próprio concurso e os participantes competem apenas com outros participantes do seu país.

As inscrições estarão abertas dia 12 de maio. Fique de olho no site Moblin.org, e claro, neste blog ;)

Durante a OSCON 2007, eu assisti a uma palestra fantástica, chamada “Como Protejer seu Projeto de Pessoas Venenosas“. Era sobre aquelas pessoas que, diferentemente de trolls, não sabem o quanto são prejudiciais ao projeto, e acreditam sinceramente que seu comportamento é de “crítica construtiva”. Ou aqueles que acham que ajudam tanto que tem o direito de se comportarem da maneira que quiserem. Também aqueles que se acham tão mais inteligentes que tratam todos com esta percepção. E foi lá que ouvi uma pérola daquelas inesquecíveis:

Genialidade hoje em dia é tão comum que excentricidade não é mais aceitável.

Principalmente na nossa área. Computação não é mais restrita a nerds que passaram a adolescência devorando livros de Assembly ou Fortran que depois de adultos descontam o tempo perdido em outras pessoas que não fizeram o mesmo, ou de Bastardos Operadores do Inferno que controlam tudo e todos. Com tantas opções de empresas, provedores, buscadores, blogs, ferramentas, o atendimento ao usuário – seja ele externo ou interno – é uma medida na hora de escolher onde gastar seu dinheiro.

Isto se extende ao número de profissionais no mercado. Existem poucos profissionais bem qualificados – com um bom inglês, uma boa experiência profissional e uma boa universidade – mas existem muitos profissionais digamos na classe média da profissão. Sério, muito mais do que você imagina. O problema é que dentre todos estes, aqueles que tem uma boa postura profissional são verdadeiras raridades. Eu vejo artigos, blogs e reclamações – meu Deus como este povo reclama! – de como uma empresa deve tratar seus nerds, mas nada a respeito de como estes nerds deveriam tratar a empresa. É claro que interessa as empresas manter seus profissionais, rotatividade de funcionários é despendioso demais – porém o maior interessado, se você está lendo isto, é você mesmo, não é? Imagino a vontade que você está agora de desfiar o quão terrivel foram as últimas 10 empresas que você trabalhou no último ano, mas já parou pra pensar que no fim, é você que está novamente procurando emprego? Ou que novamente, você foi deixado de lado na promoção? É isto que estou querendo falar, assumir para você a responsabilidade da sua carreira.

A maioria considera conhecimento e desempenho técnico como a única medida de avaliação. E olha que se seguirmos esta linha, ainda assim é complicado: uma pesquisa certa vez mostrou que pessoas incompetentes não sabem avaliar o nível de incompetência – óbvio, falta conhecimento para fazer, falta conhecimento para avaliar. Mas mesmo assim, descontando esta parte e fazendo de conta que todo mundo tem o nível de conhecimento técnico que acredita ter, a postura profissional na maioria das pessoas é sofrível. Extremamente sofrível.

A minha também foi, por bastante tempo. Mais que sofrível, terrível. Até por isto que sei bem do que se trata, pois sei bem as oportunidades que isto me custou, e o tempo desperdiçado que poderia estar progredindo. E o quanto mais você cresce profissionalmente, pior fica, pois os erros tem um alcance muito maior. E a algum tempo venho pensando em falar sobre isto. Pois decidi por a prova, e parece que o assunto interessa.

Então de acordo com a programação preliminar do FISL 9.0, dia 17 de Abril, as 13:00hs, na Sala Marcelo Tosatti, vou apresentar a palestra Profissionalismo para Nerds – Eu já sei o que eu vou ser quando crescer:

“O que você quer ser quando crescer? Gerente, Diretor de Tecnologia, trabalhando de gravata numa sala só sua? Kernel hacker, trabalhando de pijama e pantufas em casa? Ou consultor, montando sua própria pequena empresa, pois assim acredita que ganhará mais e implementará melhor os projetos, pois é óbvio que deveria ser a distro XYZ e não KJL? Sabe como chegar lá?No mundo profissional, apenas conhecimento técnico não conta – e acredito que todos sabemos disto. Mas ainda erramos muito na apresentação, e principalmente na continuação do trabalho – uma vez lá, que tal uma promoção de vez em quando?”

O nome da sala é perfeito. Tosatti é um excelente exemplo de crescimento e transformação profissional. Quem o conheceu quando ele foi declarado mantenedor do kernel, e o conhece agora, consegue avaliar do que estamos falando. Mas enfim. Vamos ver no que vai dar :)

Tenho viajado bastante e participado de eventos em lugares e culturas muito diversos. Gosto muito de observar e aprender como funciona cada comunidade, e por conseqüência, compartilho também minhas impressões com pessoas que tem as mesmas oportunidades. Acredito que assim como pessoas, gerações e culturas, a comunidade FOSS também vai crescendo e mudando. Acabei pensando numa comparação simples para mostrar este crescimento, e como diferentes partes do mundo estão posicionadas neste ambiente. É como se alguns lugares estivessem passado por alguns estágios que outros estão passando agora. Isto não quer dizer que todos passaram para outros estágios da mesma forma, nem que isto seja uma métrica rígida e comprovada científicamente, apenas baseada em observações e informações trocadas.


Alguns lugares estão mais maduros, outros estão nas primeiras fases


Na primeira fase, inicia-se criando o trabalho de base, promovendo os conceitos de software livre e código aberto, e cria-se a comunidade que vai dar sustentação para as próximas fases. A predominância no debate fica por conta das questões filosóficas. Neste momento parte basicamente da comunidade o trabalho de convencimento, evangelização e divulgação.


Muitas respostas a perguntas como:


  • “Deve ser um lixo, pra ser de graça”...

E lá vai a comunidade começando, mesmo os que usam Linux “desde o SLS/Slackware 2/versão 0.9 do kernel”, mas que faziam um trabalho mais de mestre dos magos que de propagadores. Estão engatinhando. India, China, e a maioria dos países da America Latina se encontram ainda crescendo, agregando comunidade, porém sem resultados significativos e concretos. O potencial é imenso, mas ainda falta estabelecerem-se.


A segunda fase começa quando se começa a falar em sustentabilidade. Na fase 1, poucas empresas tentam convencer mais empresas de que o futuro é aberto, que o desenvolvimento é mais rápido e barato, que a comunidade é uma grande e valiosa força tarefa. Que os custos são menores e o Retorno de Investimento é rápido. Na fase seguinte, outras empresas começam a acreditar nisto. Mais e mais pessoas começam a realizar o sonho de ter seu emprego baseado em fazer ou prestar suporte em código aberto. Começam os investimentos, os casos de sucesso estão mais numerosos. Mais gente não ligada a área começa a saber que Linux é alguma coisa de ligada a computador. As dificuldades ainda são grandes, mas os passos são mais firmes.


Acredito que o Brasil esteja nesta fase. O mercado dito corporativo tem demonstrado interesse – pedir entusiasmo deste mercado no Brasil seria demais – as comunidades conseguem se unir sem batalhas eternas e sangrentas, e o governo dá sinais de que avalia melhor suas promessas e planeja melhor suas ações. Nada mais de migrar o mundo em 80 dias, nem de que tudo está pronto e basta apenas ter boa vontade: é necessário trabalho sério e profissional, e isto requer também investimento, seja de tempo ou dinheiro.


Na terceira fase, os números são impressionantes. Investe-se bastante, economiza-se muito e inova-se. O número de desenvolvedores é entusiasmante, assim como a demanda e o tipo de trabalho que eles recebem. Novas tecnologias são desenvolvidas, novas soluções. Fala-se já em volume de negócios, em previsão de crescimento e adoção. A Europa em geral parece estar neste ponto. A França por exemplo reporta que o governo, exclusivamente com projetos open source, gastou 200 milhões de euros, irmanamente divididos entre grandes e pequenas empresas. A adoção do Firefox passa dos 40% em países como a Finlândia e Eslovênia, seguido de perto da Alemanha. Os exemplos são vários.


E qual seria a fase seguinte, já que na fase três estamos estabelecidos? Curiosamente, para mim a fase quatro se passa quando não apenas as empresas dedicadas a produzir e suportar código aberto são viáveis e rentáveis, mas também geram um novo tipo de empresas. Nos Estados Unidos, existem companhias como a OpenLogic, especializada em prestar consultoria para outras empresas que desejam abrir seu software: que licenças usar, como se posicionar no mercado, como interagir e até criar uma comunidade ao redor dos seus produtos. Isto para mim foi sobremaneira surpreendente, afinal comunidade sempre pareceu ser um mal necessário as empresas, agora elas estão investindo em ter uma boa relação!


Assegurando a continuidade das comunidades


Então está nos Estados Unidos o maior avanço que temos? Acredito que não. Uma das primeiras conferências que participei ali este ano foi a Open Source Business Conference, onde o que mais se ouvia e lia no programa não deixaria a desejar à nenhuma lista de buzzwords. O que me impressionou foi que na maioria das palestras, principalmente nas keynotes, foi a mensagem, direta ou indireta:


apropriar-se do código do seu concorrente sem contribuir vai matar seu próprio negócio.


Palestras mostrando como é o modelo de negócios baseado em código aberto, quem cuida das licenças, porque você deveria se preocupar em devolver trabalho ao ecossistema. Espere, isto não estava claro? Aparentemente não. Durante a Open Source Conference, OSCON, uma das mais maiores e mais conhecidas conferencias mundiais, a mensagem era ligeiramente diferente mas com o mesmo propósito:


Estão sendo criados produtos e serviços baseados em software aberto que não são abertos. Está se criando uma cultura que basta colar um carimbo “Eu amo FOSS” e tudo se resolve. Não é assim. Sem realimentação, a fonte seca. Parasitar seu concorrente é um tiro no seu próprio pé.


Comunidades devem ser controladas por … comunidade. Assim que a fase um torna-se essencial, para o crescimento sustentável. Pode-se até comprar uma comunidade, mas isto não garante a sobrevivência dela, muito pelo contrário. Existem regras, que variam de comunidade a comunidade, mas que possuem dinâmicas muito parecidas: liberdade de ação, anarquia ou uma liderança muito fracamente exercida, influência direta dos envolvidos nos rumos do projeto. Sem isto, será dinheiro investido a toa.


E você, o que acha?


Artigo publicado na Linux Magazine Brasil de Fev/08. English version here.

I’ve been traveling a great deal for some time now. I’ve been to conferences in many places, with very different cultures. I enjoy observing, and learning how each community works. I also try to share my findings with others who have had the same opportunity.

I believe that, in the same way people, generations, and cultures evolve, the FOSS community evolves and changes. Considering how different Open Source is in different parts of the world, it seems like some places already gone through stages that others are going through now. That doesn’t mean all places did it the same way. And there’s no “static metric” or method that is “proved by scientists”all of the observations and conclusions in this paper are based on my own meandering experiences.

Some places are more mature, others are in earlier stages

First stage The community that forms in this stage, which promotes and explains the concepts of Free and Open Source Software (FOSS), will serve as the base for next stages. At this stage, the debate is mainly philosophic. Individual people or small groups, work to convince more people, through evangelism and promotion.

There are a lot of questions and comments like:

  • If it’s free, it must be crappy code!

These are the discussion in a fresh new community. This is the case even with those who have used Linux “since SLS/Slackware 2.0/Linux 0.9”. Some members in new communities act more like Dungeon Masters than evangelists.

They are warming up. India, China, and most Latin America countries are still growing, joining communities, but without significant and sustainable results, as of yet. The potential is huge, but it is not established. There are a lot of students who still don’t get it. They think that open source means they would just be working for free.

Second stage The next stage starts when sustainability becomes important. In the first stage, a few evangelizing companies were trying to convince more companies that the future of FOSS is wide open, that the development cycle is shorter and cheaper, and that the community is a great and valuable working force. The evangelizing companies try to explain how costs will go down, and how Return of Investment (ROI) will be rapid.

In the second stage, the other companies start to realize the message is true. And when that happens, more and more people are able to realize their dream of doing the work they love, developing or supporting open source. There are more investments, and there are more cases of success. More non-IT people are aware of what Linux is, that it is something on the computer. There are still problems, but there are more real actions.

I believe Brazil is at this stage. The corporate world is showing some interest. Asking for enthusiasm from this market in Brazil would be too much. The communities work together without the infinite bloody wars. The government’s actions show some maturity and planning. There are no more announcements of migrating the world in 80 days. A lot of serious, complex, professional work is required, plus investments, in terms of both time and money.

Third stage In the next phase, the numbers are impressive. There is a lot of investment, and lots of savings and innovation. There are a big number of enthusiastic open source developers. And there is a good amount and variety of development they are hired to do. People talk about the amount of business, estimates of growth in the market share, and the adoption level.

Europe, in general, looks to be at this stage. For example, France has reported that the government spent 200 million euros, on open source projects alone. Amazingly, the big and small companies have the same share in this investment. Firefox adoption passed 40% in Finland, followed by Germany.

Next stage? So, what’s after the third phase? For me, the fourth stage happens when the companies dedicated to producing and supporting open source are not just viable and profitable, but also generate companies to support them. In the US, some companies now specialize in supporting companies which want to open their projects. The support companies teach about: licensing, how to present the products in the market, how to interact with the community, and even how to create a community around those projects. This amazed me. After all, companies have always seemed to think of communities as a necessary evil, but now they are investing in having a good relationship with them!

Community Sustainability

You must contribute to be part of the community So, does that mean that the US has the most developed open source environment? I don’t think so. One of conferences I participated in there this year was the Open Source Business Conference. Everything on the schedule and in the talks was very buzzword compliance.

But what impressed me most was the fact that several talks, including the keynotes, conveyed this message:

“It is not good to just take your competitor’s code without contributing anything. That will kill your business.”

There were talks about open source business model, who gets to decide about open source licenses, why you should care about contributing code to the ecosystem. Wait a second…. It wasn’t clear why you should contribute code? Apparently not.

During another conference, OSCON, one of the biggest and more famous of the international conferences, the message was slightly different, but with the same objective:

“Products and services are being created based on open source, but they are not open themselves. There is this culture of just saying “We love FOSS” and feeling like all is good. But it doesn’t work like this. If you don’t contribute, the main source runs out of resources. When you become a parasite of your competitor, you will destroy your business.”

Communities must be run by…the community So, the very first stage is essential to sustainable growth. Some companies may even want to buy a community. And they can, but that is not a guarantee that the community is not going to go away. There are certain rules, which may change from community to community, but all of them have very similar dynamics: volunteers are free to work on whatever they want to, and the community is anarchist or has a very soft leadership, where all the volunteers have direct influence in the next steps of the project. If a company cannot accept those rules, buying a community is a waste of money.

So, what you think?

Versão em Português.

Or “Skill – I haz them”

Segway

Conforme prometido, relatos organizados e detalhados traduzidos do blog Catarsis(fotos aqui!):

“24C3: palestra de encerramento

Para romper um pouco a ordem lógica das coisas, e ser mais caótico (ainda que isto não seja meu estilo :P ), vou começar pelo final: a palestra de encerramento do 243C [24o. Chaos Communication Congress].

Assim como a abertura, foi apresentado por Tim Pritlove, embora ele tenha começado cedendo a palavra a um membro [coordenador] da equipe de gerenciamento de rede, que luzia um moicano loiro e usava calça com estampa de zebra. Este explicou todos os incidentes que haviam tido para a configuração da rede, que não era nada trivial para um evento como este.

Para começar, os próprios requisitos físicos e de cabeamento do edifício provocaram problemas entre as fibras mono e multimodo e a conexão ao exterior, e com isto tiveram que estabelecer uma rede de área metropolitana para poder conectar as várias partes do centro de convenções… Não me lembro todas as cifras nem pude anotá-las, mas acredito que estávamos conectados a 2Gbps e que tiveram uns 5 ou 6 mil endereços MAC diferentes, e pelo menos 60 switches. Esta parte foi divertida, quando mostraram uma foto de algumas fibras fixadas com fita isolante, e alguns episódios que me lembraram mais a Espanha que a Alemanha, como de abrir um switch que fazia um barulho estranho e encontrar um capacitor solto e ter que soldá-lo de volta, ou usar fibras que servem para várias dezenas de kilômetros para conectar algo separado por alguns metros.

Depois, também interveio um representante da “Hacker Ethics Hotline”, que está em funcionamento há poucas edições, e ele contou que esta foi uma edição bastante tranquila… Tiveram apenas três ligações, e uma delas foi mais ou menos assim: “vocês tem conteúdo ilegal em seus servidores” – “Não, não temos nenhum conteúdo ilegal” [- e desligaram o telefone].

Tim retornou a palestra para mostrar alguns números sobre o evento, como por exemplo:

  • Algo em torno de 4000 participantes [pra ser mais exata 4013]

  • O palestrante mais jovem tinha 17 anos [e viajou mais de 16 mil km]

[Tim] mencionou Sputnik e Open Beacon, um sistema de rastreamento através de RFID que começaram a usar ano passado e seguiram usando neste. Disse que todos os dados que se haviam registrado seriam disponibilizados na internet, para quem quiser estudá-los.

Também fez referência ao protesto organizado que aconteceu em frente ao centro de eventos, e em geral parabenizou pelo nível de consciência entre os participantes a respeito dos problemas que o mau uso da tecnología pode provocar nas nossas vidas: falta de privacidade, controle social, retenção de dados, fraudes em eleições eletrônicas…

[Depois, ele] leu uma mensagem de [Tom Twiddlebit,] um dos fundadores do CCC com Wau Holland, que disse estar acompanhando o congresso desde casa [através de streaming], e que estava muito feliz de ver como o magnífico nível técnico das palestras o fazia voltar a acompanhar a reivindicação social.

Em um tom mais de brincadeira, Tim mostrou como as páginas de alguns partidos políticos alemães supostamente informavam do evento (não sei se foi algo permanente, temporário ou simulado). Agradecendo o pessoal, disse que uma das principais regras para um evento como este é que cada um deixasse as coisas como gostaria de encontrar-las … e ilustrou com uma foto de um kiosque web do centro de eventos onde alguém tinha instalado Linux e o fundo de tela era o logo do 24C3 :)

A respeito dos “danos contra a propriedade”, mostrou um papel impresso [que resultou neste aviso], suponho que um boletim de ocorrência ou uma multa, de alguém que havia sido surpreendido realizando testes de campo com a nova versão do TV-B-Gone no MediaMarket em frente ao lugar do evento… Houve aplausos e gritos de júbilo :)

Esta última parte teve um aparte sensacional, na qual Johannes Grenzfurthner voltou a enlouquecer com a música “Surfen Multimedia” do grupo Eurocats, saltando e vociferando pelo palco em um tipo de karaoke enlouquecido que terminou com a participação de todo o público.

O Congresso terminou em meio a um grande aplauso, depois da despedida e da recomendação de estudar e compartilhar os conhecimentos com os pares.

en
As I promised, more detailed and organized reports, from our partner blog Catarsis:(pictures here)

“24C3: closing ceremony

To break the logical order and to be more chaotic (although that is not my style :P ) I will start by the end: the Closing Event of 24C3.

As the Opening Event, it was presented by Tim Pritlove, although he started calling a member from the network team [coordinator], a guy with a blond Mohawk and zebra pants. He explained all the incidents involved in setting up the network, which was anything but trivial in a conference like this.

To start, the physical requirements and the cable structure in the building caused problems between the mono and multimode fiber inside and the outside network, so to fix it they needed to establish a metropolitan area network, in order to connect the different areas in the convention center. I don’t remember all the numbers and I couldn’t take notes, but I believe we were connected at 2Gbps and there was 5 to 6 thousand different MAC address, and about 60 switches. There was some jokes at this point, as they showed a picture taken of the fibers fixed with a piece of silver tape, and some other episodes that reminded me more of Spain than Germany, like to have to open a switch because it was making weird noises and to find a loosing capacitor rolling around, so they needed to sold it back again; or to use optical fiber with capacity for several miles, to connect some few meters.

After that, there was the “Hacker Ethics Hotline”, going for some editions now, and he told that this conference had very few incidents. They had just three calls, and one of them was: “You have illegal content in your server” – “No we don’t” [and hung up].

Tim continued the presentation, and showed some numbers about the conference, like:

  • About 4000 attendees [it was 4013, to be exactly]

  • The younger speaker was 17 years old [and traveled more than 16000 km to go there.]

He mention Sputnik and Open Beacon, a RFID tracking system started to be used last year and continued on this year. He said that all the data collected will be published online, to those who want to make any analysis.

He also talked about the protest they did in front of the convention center, and congratulated the awareness of the attendees about the misusages of technology and what that may represent for us: lack of privacy, social control, data retention, frauds in voting machines…

He read a message from Tom Twiddlebit, one of the funders of CCC together with Wau Holland, where Tom said he was watching the congress through streaming, and he was happy to see the quality of the talks, and how that was becoming mixed with activism.

Back to joking, Tim showed some politicians webpages supposedly to be promoting the conference (I don’t know if it was something permanent, temporary or fake). Congratulating the audience, he said that one of the main rules for a conference like that is that everybody leave things like they would like to find it… and he showed the concept with web-kiosk in the conference center where people had installed Linux and the background was the 24C3 logo :)

About the “damages against property”, he showed a paper [which probably resulted in this sign], I believe it was a police record, of someone who had been caught testing the new version of TV-B-Gone in the MediaMarkt, in the shopping in front of the conference… There was applauses and enthusiastic cheering.

This last part had a great intermission, where Johannes Grenzfurthner came back to go nuts with the music “Surfen Multimedia” from Eurocats, jumping and screaming on the stage in some kind of crazy karaoke which ended been followed by the crowd.

The Congress closed with a huge applaused, after the ending slide and the recommendation of studying and informing your peers.”

  • Learn French – now people will be able to complain about my writing in four languages!

  • Find a new place, with a parking lot and close to my catsitter

  • Buy a dish washer machine

  • Do another singing course module

To resolve:

  • Kung fu or regular gym? I still have those f**n’ 10kg to loose…
  • a Asus EeePC or a Macbook?

Mais faceira que pinto no lixo.

As palestras pela manhã eram mais do que eu podia entender, e enquanto eu brigava com a conexão wireless e um DoS no site, apresentaram a palestra sobre Criptografia Quântica. Alguma coisa do tipo transmitir um fóton, dividir randomicamente alguns dados e … bom, por aí você entende a viagem. Mas agora às 4 tem uma demonstração, vamos ver se entendo alguma coisa.

Depois, ainda brigando com o DoS, apresentaram a palestra sobre porque Segurança em Hardware ainda é Difícil, onde apresentaram as plataformas novas que se tenta hackear: PS2, iPhone, XBox, etc. Mostraram uma tabela dizendo qual o interesse: pirataria ou apenas curiosidade, e o qual fácil ou difícil era cada uma. A mais difícil parecia ser o PS3Xbox 360, que ainda não havia sido hackeado… until now. Assim eles apresentaram todas as mudanças de código, engenharia reversa e os resultados, mostrando um PS3 Xbox 360 rodando Linux, com os 3 processadores de 64bits totalmente funcionais, e até mudaram uma tela de apresentação de um jogo para exibir as letras 24C3.

Depois disto aproveitamos para fazer algum programa turístico e jantar na Torre de Televisão de Berlim, onde a 203 metros de altura tem o restaurante com paredes de vidro, que fica girando 360 graus duas vezes por hora – eu acho que devia girar só uma, fiquei meio enjoada.

Voltamos ao evento para assistir a palestra Do it yourself – sobrevivendo ao Apocalipse ou a um levante de Robos. Foi engraçadinha, nada extremamente revolucionário. Se me lembro bem, se você quer se preparar, aprenda a comunicar-se por rádio, armazene comida, agua, mas principalmente cerveja e camisinhas – você vai ficar entediado uma hora. Em caso de levante de robôs, a primeira coisa a fazer é desmontá-los… Mas até que mostrou uma maneira de montar uma bomba eletrica para causar curto circuito neles.

Depois que veio a melhor parte do dia. Segundo o site XKCD, a regra 34 da internet é: se algo existe, existe pornografia disto.

Rule 34: there is porn of it

Então a última sessão da noite, não transmitida, não fotografada – as máquinas insistindo em descumprir a regra foram confiscadas – foi um concurso para encontrar coisas pornográficas relacionadas a temas fora do comum. Assim, um juri de 4 membros do CCC, incluindo uma mulher, chamavam 3 voluntários da platéia, lhes davam um pouco de vodka, e lhes davam tarefas como encontrar pornografia relacionada a Star Wars, Guitar Hero, jogos, Roleplay, etc. Acho que cada rodada consistia de 6 temas selecionados e um livre. Depois trocavam os candidatos, que sempre consistiam de dois homens e uma mulher – e as mulheres levaram as duas primeiras rodadas. Na última eu me arrependi de não ter me voluntariado, eu certamente tinha idéias melhores para as categorias Hardware, Apple e tema livre. Apesar de uns momentos realmente nojentos – imagine pornografia com japonesas e polvos, pornografia com ralador, é, aquele de cozinha – teve uns momentos impagáveis como pornografia com Lego.

Outras curiosidades: aqui é mais barato que na Espanha, e olha que eles também tem melhores salários. Metro, comida e bebida até agora está saindo bem, mesmo o jantar na torre foi muito mais barato que a maioria dos restaurantes normais que fomos na Espanha. E aqui eles tem um refrigerante chamado Club-Mate, que como a maioria dos estrangeiros aqui eu me apaixonei e não acredito que não tem em outros lugares. É um refrigerante com um gosto suave de chá mate, mas com muita cafeína. Eu ando preferindo este Club-Mate a cerveja, mas acho que é porque as cervejas vendidas no evento não são tão boas. Ah, outra coisa legal foi assistir por exemplo ao concurso ontem a noite, que começou umas 11:30 devido a problemas técnicos – alias, impressionante que 80% dos palestrantes tenham problemas com o projetor justo aqui – e foi até quase 2 da manhã, tomando cerveja sem nenhum problema no auditório.

Agora vou ver a demonstração de criptografia quantica e depois ir a um lugar que pelo que ouvi dizer é o paraíso dos sapatos. Alguém aí sem ter o que fazer quer traduzir este post pra mim? Tô com uma pregui…

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